Agora com o início do ano lectivo dei por mim em vários momentos de nostalgia e tenho recordado como era a minha infância e como foi a minha experiência nesta altura quando tinha 3 ou 10 anos, e deu uma saudade daquelas...
Quem nasceu nos anos 80 (sim, ja estou cota!!!), de certeza que se recorda que havia tempo para tudo durante o período de aulas. Quando andávamos na pré-primária e no 1o ciclo só se estava na escola até às 13h!!! Saíamos da escola, íamos a pé para casa na companhia uns dos outros, a brincar, a pular por entre poças de água, ainda tínhamos tempo para brincar ao elástico pelo caminho. Em casa estava sempre uma mãe ou uma avó à espera com a mesa posta para o almoço, no meu caso era a minha bisavó Irene que foi quem me criou juntamente com o meu pai e a minha mãe. A seguir era fazer os trabalhos de casa e por volta das 15h, se não chovesse, íamos para a rua brincar até à hora do banho e jantar ou até o pai e a mãe chegarem.
Só fui para o JI com 4/5 anos porque não havia a treta de ter de ir aos 3 anos para aprender a socializar, a nossa socialização era feita na rua com os amigos a jogar à apanhada, às escondidas, às cartas, ao elástico, à mosca!!! Aposto que 90% das crianças do século XXI não sabe o que é metade destes jogos que nomei.
Naquele tempo os pais não tinham de trabalhar por turnos e se excepcionalmente isso acontecesse havia sempre uma avó para tomar conta de nós, agora as avós já trabalham até de bengala. Os centros comerciais apoderaram se do tempo dos pais que têm de trabalhar até à meia noite.
Os tempos mudaram e parece me que temos filhos para os outros criarem, para educadoras e auxiliares os criarem, existem crianças que entram num colégio às 7h da manhã e só saiem 12 horas depois e muitas vezes nem é com rumo a casa, é muitas vezes com os avós que jantam e adormecem e quando os pais chegam a casa é pegar ao colo e levar... por vezes a vida obriga a que assim seja, o nosso país não nos dá outra opção ( não sei se noutros será melhor, porque não vivo neles), gostava de voltar atrás no tempo e mostrar aos meus filhos o que era ter tempo para ser criança.
Tanta coisa mudou... para melhor? Não acho, é a minha opinião vale o que vale.
Bêjos
Carina Santos Pereira

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